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WRC – Por que acompanhar o mundial de rally em 2020?

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Velocidade, saltos e muito barulho. Vai começar a temporada 2020 do WRC! (Fonte: WRC.com)

Ainda não foi o suficiente para te convencer? Ok, então vamos conversar.

COMO FUNCIONA?

O básico você já deve saber de outras categorias: ganha quem fizer o menor tempo, e os 10 primeiros pontuam pro campeonato – independente do número de pilotos de uma equipe, só 2 (indicados pela equipe) podem pontuar. Se os 4 pilotos da Toyota ficarem nas 4 primeiras posições, só valem aqueles que a equipe escolheu, e a pontuação continua para os demais pilotos (o 5º pontuaria como 3ª, o 6º pontuaria como 4º e assim em diante). O campeonato terá duração de 11 meses, com 14 etapas entre janeiro e novembro.

Apesar do evento começar na sexta-feira e durar até domingo, pilotos e equipes começam as atividades na terça e quarta-feira anteriores, no chamado Reconhecimento (Recce), criando e/ou alterando as anotações do navegador (responsável por guiar o piloto através das inúmeras condições da pista, como saltos, penhascos, pedras, etc). Na quinta-feira as equipes podem percorrer pequenos trechos dos estágios para treinar e testar as configurações dos carros – o chamado Shakedown.

Cada um dos 3 dias (ou “leg“, como são conhecidos) é composto por um número específico de Special Stages, podendo variar entre 15 e 30 no total. Cada estágio (trecho pré-determinado no qual o piloto é cronometrado) pode variar de 2 km (o chamado Super Special Stage) a 50 km de distância. Entre os estágios existem alguns poucos Postos de Serviço, locais onde as equipes podem (durante um curto período de tempo) fazer reparos nos veículos, e ao final de cada dia os times têm 45 minutos para eventuais manutenções, antes do Parc Fermé (parque fechado, quando os carros são isolados). O último estágio de cada evento é chamado Power Stage, onde pontos adicionais são conquistados pelos 5 primeiros colocados – independente de sua colocação geral.

Vence a dupla (piloto + navegador) que tiver a menor soma de tempo no total dos estágios, considerando eventuais punições que podem ocorrer ao longo dos dias.

ASFALTO, TERRA, NEVE, CASCALHO

Diferentemente das tradicionais corridas em asfalto, onde existe “pouca” mudança entre as provas (claro, cada circuito tem sua peculiaridade, com um asfalto mais ou menos abrasivo, zebras mais ou menos altas, retas mais longas, curvas de alta, hairpins, túneis e por ai vai…), existem poucas semelhanças entre as etapas do WRC, tornando cada estágio desafiador e único para cada piloto.

Por exemplo: a primeira etapa do campeonato é o lendário Rallye Monte Carlo. Sabe o GP de Mônaco, que apesar de todo o glamour e história é uma das etapas mais chatas da Fórmula 1 atualmente? Pegue as ruas estreitas do circuito, espalhe ao longo da encosta das montanhas dos Alpes Franceses e coloque pequenas muretas para delimitar onde acaba o asfalto, mantendo a velocidade dos 380 HP dos motores 1.6 turbo 4 cilindros. Parece difícil?

Acrescente neve e apague as luzes. Pronto, isso define DOIS ESTÁGIOS do Rallye Monte Carlo. Nos outros 14, que contam com luz natural, espere encontrar asfalto seco e gelo em poucas horas de diferença, isso se as montanhas não trouxerem outras coisas para a pista.

Já a segunda etapa, na Suécia, é levemente mais simples – sendo uma das mais rápidas da temporada: neve, neve, gelo, neve, gelo. Resumidamente é isso. Acontecendo em pelo inverno europeu, o trajeto é delimitado pelos morros de neve e a paisagem é majoritariamente branca. A situação pode (e irá) complicar quando, durante o processo de degelo, o asfalto começar a ser visível – onde os pneus Michelin, especialmente projetados para as superfícies congeladas (com quase 400 pequenos esporões de aço ao redor do pneu), perdem tração e deixam o comportamento do carro muito imprevisível.

E a terceira etapa? México. Os carros saem do frio congelante e enfrentam a altitude (2700 m), o calor e o terreno arenoso de Guanajuato. Prepare-se para pedras, árvores, postes e valetas que irão exigir muito do carro, e cuide com os vários penhascos que podem acabar com a etapa.

Falando nisso, em 2020 teremos o retorno de três etapas que são históricas no campeonato: Safari Rally (Quênia), que há 18 anos não recebe um evento do WRC; Rally Japan e Rally New Zealand.

MERCADO DE PILOTOS FERVENDO

Ok, talvez você não faça ideia de quem é Ott Tänak ou Elfyn Evans. O importante é entender que mudou BASTANTE COISA no grid desse ano, principalmente se considerarmos quem saiu.

Ott Tänak é o atual campeão do WRC, e em 2020 correrá pelo atual campeão de construtores (Fonte: Redbull.com)

Ott Tänak, 32 anos, é o atual campeão do WRC (o primeiro em 16 anos que não se chama Sébastien) – sendo bastante sólido na temporada 2019 com a Toyota Gazoo Racing WRT (apesar de alguns tropeços pontuais que poderiam lhe dar o título ainda mais cedo), desbancando o multicampeão Sébastien Ogier e o “sempre vice” Thierry Neuville. Sua parceria com Martin Järveoja subsidiada pela forte estrutura da Toyota poderia indicar a busca pelo bicampeonato em 2020, porém problemas com sua renovação de contrato acabaram abrindo caminho para sua chegada na Hyundai Shell Mobis WRT, campeã de construtores de 2019 (pela primeira vez na história).

Desfalcados de seu principal piloto, os nipônicos não demoraram em anunciar Sébastien Ogier, 36, como seu novo piloto principal. O hexacampeão do WRC competira com a Citröen Total WRT em 2019 e deixou indicações de que 2020 pode ser sua última participação no campeonato, porém a ~ já mencionada ~ forte estrutura da Toyota, que o possibilita de se aproximar do recorde do conterrâneo Sébastien Loeb (9 títulos), pode atrasar estas especulações.

Ogier e Ingrassia até venceram com a Citröen, mas buscam retomar o título com a Toyota em 2020 (Fonte: Redbull.com)

Buscando o título de construtores (que até poderia ter sido alcançado se não fosse o cancelamento da etapa australiana de 2019, motivada pelos incêndios do final do ano), a Toyota também trouxe Elfyn Evans, de 31 anos (será a primeira vez desde 2013 que o britânico não pilotará um Ford Fiesta) e o campeão da WRC-2 (categoria de acesso do Mundial) Kalle Rovanperä, 19, filho do ex-piloto do WRC Harri Rovanperä. Tais contratações, porém, acabaram deixando Jari-Matti Latvala, um dos pilotos mais antigos do WRC, sem uma vaga fixa na temporada – obrigando o finlandês de 34 anos a correr de forma independente com seu navegador Juho Hänninen em etapas específicas do Mundial.

A mudança mais importante foi, sem dúvida, o número de equipes no campeonato. Apesar de Latvala ter inscrito o Toyota Yaris WRC #10 como uma equipe independente (Latvala Motorsport), este ano teremos apenas 3 construtores brigando pelo campeonato: Hyundai, Toyota e a M-Sport Ford WRT. A saída da Citröen (após 18 anos no WRC e um período de hegemonia entre 2004 e 2012 com Loeb), prevista somente para 2022 (com o início da “Era Híbrida” no campeonato) ocorreu “pela falta de pilotos de ponta” – palavras da própria Citröen – após a saída de Ogier para a Toyota (posteriormente a empresa francesa afirmou que irá se dedicar ao WRC3 e WRC2, e por isso deixou a categoria principal).

Pilotos e Equipes do WRC 2020 (Fonte: Autor)
PERIGO É APELIDO

Um dos meus pilotos favoritos na história da F1 é Gilles Villeneuve. Arrojado, derrapava na entrada e na saída da curva sem nem piscar. Uma das minhas imagens favoritas dele é na corrida do Canadá, em 1981, com a asa quebrada e tapando quase toda sua visão – num carro de F1 – na chuva.

No WRC, não se espera nada menos do que isso de um piloto “comum”.

Tudo sob controle em um dia normal (Fonte: wrc.com)

Enquanto na maioria dos campeonatos qualquer dano no carro já é motivo de desespero ou abandono, não é raro ver um carro de rally capotando 2 ou 3 vezes antes de continuar o estágio. Quebrou para-brisa? Sem problema. Tá sem aerofólio? O carro voa. Furou pneu? Tem mais 3 no carro… se for um pouco mais sério, é capaz do piloto descer e tentar remendar algum cabo ou cano sem que perca muito tempo. A conversa é mais ou menos assim:

“Dá pra ligar, virar e acelerar?”
“Dá.”
“Então bora.”

É ÓBVIO que existem acidentes mais fortes que vão obrigar a abandonar, mas o carro é feito pra ser mais resistente do que o normal. Ou você acha que o teu Chevrolet Onix aguenta um pulo desses?

E COMO ACOMPANHAR?

Se você gosta de assistir todos os segundos possíveis, cogite assinar o WRC+, serviço de streaming exclusivo da competição e que lhe garante acesso irrestrito aos eventos: transmissões ao vivo, reprises, vídeos onboard, mapas ao vivo e mais. São duas opções: mensalidade de € 8,99 (pouco mais de R$ 40,00 na data deste texto, 16/01) ou anuidade de € 89,99 (uns R$ 400,00, válidos por 12 meses).

A Fox Sports costuma fazer pequenas transmissões durante os dias dos eventos, com um bom resumo e vários highlights, porém de curta duração – é preciso estar atento à grade do canal.

Por fim, a melhor maneira é, obviamente, lendo o Tomada de Tempo (hehe). Iremos acompanhar as etapas trazendo notícias, resumos e análises dos eventos.