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WEC – Prólogo das 6 Horas de São Paulo – 2024

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(Foto: Charly Lopez/DPPI)
Confira as principais informações da tão esperada disputa em solo brasileiro, que ficou de fora do calendário por nove anos consecutivos e retorna com um número recorde de fabricantes no grid.

O World Endurance Championship (WEC) está de volta neste fim de semana (12, 13 e 14) para realizar as 6 Horas de São Paulo, a quinta etapa da programação 2024 da classe que acontecerá no Autódromo José Carlos Pace, localizado em Interlagos, bairro do distrito de Socorro, na zona sul da capital paulista.

A prova com duração de 6 horas em solo brasileiro figurou nas três primeiras campanhas da categoria, e retorna depois de 10 anos. As últimas edições das 6 Horas de São Paulo, 2012 (ano de estreia da categoria de resistência), 2013 e 2014, ocorreram como a quinta, quarta e última corridas da temporada, de forma respectiva.

Vale lembrar que a etapa na região sudeste do Brasil será a primeira de duas passagens do Campeonato Mundial de Endurance pela América neste ano, já que, depois de São Paulo, a próxima parada é nos Estados Unidos, em Austin (Texas): a Lone Stars Le Mans, no Circuito das Américas (COTA).

A competição em Interlagos neste final de semana será a corrida em casa para os pilotos da liga de carros turismo, LMGT3, Augusto Farfus (WRT #31) e Nicolas Costa (United Autosports #59), que contarão com a maior parte da torcida nas arquibancadas.

De acordo com a Lista de Inscritos, um número recorde de 14 montadoras participarão das 6 Horas de São Paulo, distribuídas nas divisões Hypercar e LMGT3, que terão, em suas respectivas relações, 19 e 18 carros, que formam um total de 37 máquinas disponíveis para 109 automobilistas no grid.

Abaixo, confira as principais informações sobre a disputa que marca o retorno do WEC ao Brasil, como os detalhes do traçado, as expectativas dos pilotos brasileiros, o Balanço de Performance aplicado na divisão Hypercar, as novidades para a competição e o que esperar da quinta etapa da 12ª temporada do WEC.

Características do circuito

O Autódromo José Carlos Pace possui 4.309 km de extensão, 15 curvas (5-D e 10-E) e fluxo no sentido anti-horário. O ‘Templo do Esporte a Motor’ costuma gerar corridas bem disputadas, já que possibilita ultrapassagens, principalmente na reta dos boxes, a mais extensa do local de provas.

O icônico traçado paulista tem como características principais mudanças acentuadas de elevação, predominância de setores de média e baixa velocidade com curvas técnicas e ângulos variados, além de bumps (ondulações curtas). A seguir, confira como é uma volta no Autódromo de Interlagos, através do game/simulador Gran Turismo 7.

O trecho mais famoso e polêmico do circuito é o S do Senna, sequência inicial composta pelas curvas 1 e 2. Geralmente, é a parte que mais gera contatos entre os carros e corte de curvas pelos pilotos durante as provas.

Importante lembrar que a lendária pista brasileira é a mais curta do calendário, e o local onde os hipercarros atingem velocidades acima de 300 km/h. Além disso, aproximadamente, 50% da volta é percorrida com o acelerador completamente pressionado, enquanto os competidores trocarão de marcha, em média, 38 vezes.

Um fator que pode gerar longos períodos de bandeiras vermelhas é a chuva; quando a superfície do circuito se encontra sob tal condição climática, é impraticável realizar a corrida, devido aos aclives, declives e as zonas de frenagem fortes que se apresentam após as duas longas retas do traçado paulista.

Últimos vencedores das 6 Horas de São Paulo
Da esquerda para a direita, Marc Lieb, Romain Dumas, Neel Jani e Fritz Enzinger (Foto: Porsche Newsroom)

Na última passagem do WEC por Interlagos, em 2014, a Porsche venceu a prova em território brasileiro com o LMP1 919 Hybrid #14, sob o comando do francês Romain Dumas, do suíço Neel Jani e do alemão Marc Lieb, que alcançaram a primeira vitória da fabricante alemã na categoria.

A disputa em São Paulo terminou sob Safety Car, devido a uma forte batida no início da reta dos boxes do segundo Porsche 919, o #20, guiado por Mark Webber. Apesar do carro terminar com a parte traseira completamente destruída, o australiano saiu ileso do incidente.

A Toyota Gazoo Racing finalizou em segundo lugar na divisão principal, com o TS040 Hybrid #8 guiado apenas por dois pilotos: o suíço Sébastien Buemi e o britânico Anthony Davidson. Apesar de não ter levado a melhor no Autódromo José Carlos Pace, a equipe japonesa se tornou campeã pela primeira vez no Mundial de Endurance, depois de dois títulos consecutivos da Audi nos anos anteriores.

A terceira colocação no pódio das 6 Horas de São Paulo de 2014 ficou com a Audi Sport, graças ao trio formado pelo brasileiro Lucas Di Grassi, o francês Loïc Duval e o dinamarquês Tom Kristensen, que correram a bordo do R18 e-tron quattro #1. Essa foi a despedida oficial do nove vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans, Kristensen, que realizou a sua última corrida da carreira, ao se aposentar oficialmente do automobilismo no dia seguinte.

Expectativas dos pilotos brasileiros
Augusto Farfus (Foto: Julien Delfosse/DPPI)

Augusto Farfus (BMW M WRT LMGT3 #31): Estou ansioso pelas 6 Horas de São Paulo. Interlagos é um circuito icônico e vai ser um final de semana muito especial. É a pista mais curta do ano, então a densidade de tráfego será intensa. Os Hypercars com certeza terão mais dificuldades aqui.

Nesta época do ano no Brasil, podemos ter 30°C ou 10°C com chuva. O clima pode mudar muito rápido, mesmo de um dia para o outro. As equipes precisarão se adaptar e otimizar bem suas operações. A prioridade é nos divertir, minimizar os erros e continuar trabalhando duro como sempre.

“Temos uma equipe e escalação fortes, mas o nível do campeonato é muito alto. Há muitas variáveis e uma ampla gama de estratégias possíveis. É a primeira vez que participo de uma temporada inteira do WEC e estou muito satisfeito em ver quanto comprometimento todos os fabricantes, os pilotos profissionais e as marcas colocaram no campeonato. Espero realmente aproveitar o fim de semana e, claro, estar no pódio aqui em São Paulo.

Situação no campeonato: P3 – 73 pts.

Nicolas Costa (Foto: United Autosports)

Nicolas Costa (United Autosports LMGT3 #59): Poder correr no WEC em Interlagos é a concretização de vários sonhos. Na última vez, assisti a prova lá do kartódromo, não tinha ingresso nem para a arquibancada. De lá para cá, muita coisa mudou, é uma sensação boa e sou grato por tudo o que passei, dos prazerosos altos aos decepcionantes baixos, que te fazem apreciar os momentos mais altos da vida.

Conhecer a pista de Interlagos me favorece bem, principalmente nos primeiros treinos. Sabemos que algumas equipes já foram treinar aqui, de forma que esse fator cairá por terra rapidamente. Entretanto, por conhecer tão bem a pista, certamente isso deve representar alguma vantagem minha sobre alguns dos outros competidores.

“O sentimento é o da realização de um sonho, mas esse cenário também me traz uma certa forma de pressão, já que eu quero muito me sair bem para continuar minha carreira no WEC. Ao mesmo tempo, tem sido muito prazeroso e, mesmo com essa pressão, estou conseguindo curtir o momento e aproveitar cada etapa. Tudo isso tem sido muito legal para mim e me sinto motivado demais para vencer essa corrida.

Situação no campeonato: P16 – 12 pts.

BOP para a prova
(Foto: Photo Julien Delfosse/DPPI)

Confira o Balanço de Performance aplicado na divisão Hypercar para as 6 Horas de São Paulo:

Alpine (LMDh)

Peso: 1044 kg (+6);

Potência: 516 kW (+9);

Duração de energia: 910 MJ (Megajoules) (+7);

Velocidade mínima para ativação do sistema híbrido: Não possui (motor híbrido utilizado apenas para modo ataque e regeneração de energia).

BMW (LMDh)

Peso: 1044 kg (+5);

Potência: 512 kW (+4);

Duração de energia: 908 MJ (Megajoules) (+4);

Velocidade mínima para ativação do sistema híbrido: Não possui (motor híbrido utilizado apenas para modo ataque e regeneração de energia).

Cadillac (LMDh)

Peso: 1039 kg (+3);

Potência: 519 kW (+10);

Duração de energia: 907 (Megajoules) (+7);

Velocidade mínima para ativação do sistema híbrido: Não possui (motor híbrido utilizado apenas para modo ataque e regeneração de energia).

Ferrari (LMH)

Peso: 1060 kg (+17);

Potência: 503 kW (-5);

Duração de energia: 905 MJ (Megajoules) (+16);

Velocidade mínima para ativação do sistema híbrido: 190 km/h.

Isotta Fraschini (LMH)

Peso: 1030 kg (-18);

Potência: 520 kW (+5);

Duração de energia: 915 MJ (Megajoules) (Nenhuma alteração);

Velocidade mínima para ativação do sistema híbrido: 190 km/h.

Lamborghini (LMDh)

Peso: 1039 kg (Nenhuma alteração);

Potência: 519 kW (Nenhuma alteração);

Duração de energia: 909 MJ (Megajoules) (+5);

Velocidade mínima para ativação do sistema híbrido: Não possui (motor híbrido utilizado apenas para modo ataque e regeneração de energia).

Peugeot (LMH)

Peso: 1051 kg (+4);

Potência: 510 kW (+2);

Duração de energia: 909 MJ (Megajoules) (+14);

Velocidade mínima para ativação do sistema híbrido: 190 km/h.

Porsche (LMDh)

Peso: 1051 kg (+9);

Potência: 512 kW (+1);

Duração de energia: 908 MJ (Megajoules) (+4);

Velocidade mínima para ativação do sistema híbrido: Não possui (motor híbrido utilizado apenas para modo ataque e regeneração de energia).

Toyota (LMH)

Peso: 1060 kg (+7);

Potência: 506 kW (-2);

Duração de energia: 912 MJ (Megajoules) (+6);

Velocidade mínima para ativação do sistema híbrido: 190 km/h.

Novidades
O retorno de Mike Conway
Mike Conway (Foto: Divulgação)

Ao ficar de fora das 24 Horas de Le Mans devido a um incidente de bicicleta que resultou em fraturas nas costelas e na clavícula e, por conta disso, ser substituído pelo argentino e ex-titular da equipe, José María López, Mike Conway retorna ao cockpit do #7 pela Toyota de Hypercar para as 6 Horas de São Paulo.

Totalmente recuperado, o britânico se une novamente com os outros pilotos do GR010 #7 (vencedor das 6 Horas de Ímola) o neerlandês Nyck De Vries e o japonês Kamui Kobayashi. Assim, de volta ao seu lugar de origem, Lopez retornará ao Lexus RC F #87 da escuderia Akkodis ASP de LMGT3, ao lado do japonês Takeshi Kimura e do francês Esteban Masson.

Outras alterações de line-up

Na Proton Competition de Hypercar, apenas o suíço Neel Jani e o francês Julien Andlauer revezarão o cockpit do Porsche 963 #99 durante a disputa em Interlagos. O terceiro piloto titular da equipe, o britânico Harry Tincknell, não estará no país devido a um conflito de calendário com a IMSA, que realizará a sétima etapa de sua programação neste fim de semana.

Enquanto isso, na equipe Akkodis ASP de LMGT3, o piloto russo Timur Boguslavskiy será substituído pelo austríaco Clemens Schmid no Lexus RC F #78, pois Boguslavskiy se encontra doente e não participará das próximas etapas do WEC.

De última hora, o 14 vezes vencedor de corridas da extinta classe LMGTE, Christian Ried, tirará uma folga da aposentadoria e substitutirá o italiano Giorgio Roda no Ford Mustang #88 da Proton Competition de LMGT3.

O piloto alemão, coproprietário da escuderia conterrânea, anunciou o afastamento voluntário do automobilismo ano passado e correrá apenas na etapa deste final de semana em São Paulo.

O que esperar
(Foto: Julien Delfosse/DPPI)

As 6 horas de corrida em São Paulo serão intensas e extremamente competitivas, já que, pelo fato do local de provas brasileiro ser curto, um os grandes desafios para os pilotos da divisão de hipercarros, como mencionado anteriormente, será o trafego. Dessa forma, a qualificação assumirá um papel ainda mais importante em termos de resultado.

Outro fator que pode embaralhar o pelotão tanto da Hypercar quanto da LMGT3 é a possibilidade de chuva para todo o final de semana, com a maior probabilidade no sábado. De acordo com o site weather.com, há 50% de chances de precipitação no dia do classificatório, enquanto, para o dia da prova, domingo, a possibilidade de chover é de apenas 24%.

Na edição de 2014, a etapa em Interlagos foi intensa e mostrou vários incidentes entre os competidores, principalmente na classe de turismo que, na época, era a LMGTE, descontinuada a partir deste ano para entrada dos carros de especificação GT3.

Situação atual na Hypercar

A atual líder no Campeonato de Fabricantes da Hypercar, com 108 pontos, é a Porsche, que venceu os 1812 km do Catar (a etapa de abertura da temporada) através de sua equipe de fábrica, e as 6 Horas de Spa-Francorchamps, com a escuderia cliente Hertz Team JOTA.

Logo atrás da marca alemã, está a vencedora da 92ª edição das 24 Horas de Le Mans, Ferrari, que se encontra apenas 9 pontos atrás da Porsche na tabela e chega em São Paulo com a motivação para subir ao topo do pódio em dia.

A escuderia de fábrica da montadora italiana, Ferrari AF Corse, pode assumir, de forma inédita no WEC, a liderança no Campeonato de Fabricantes. Para isso, a equipe, apesar de receber um BoP que a desfavorece, precisa que seus pilotos façam uma corrida sem erros nos 4,3 km do circuito de Interlagos e se classifique na dianteira neste domingo.

A atual campeã do Mundial de Endurance, Toyota, está na terceira posição na tabela, mas com uma desvantagem de míseros 3 pontos, uma diferença que pode ser facilmente tirada pela escuderia japonesa. Importante lembrar que a TGR tinha chances reais de vencer a competição mais recente na cidade paulista em 2014, e pode pressionar a Porsche de perto mais uma vez no retorno da categoria a São Paulo.

Situação atual na LMGT3

A Manthey EMA com o Porsche 911 R #91, conduzido pelo australiano-palestino Yasser Shahin, o neerlandês Morris Schuring e pelo austríaco Richard Lietz, que levou a melhor nas 6 Horas de Spa-Francorchamps e nas 24 Horas de Le Mans, é a atual líder do Campeonato de Equipes da LMT3, ao totalizar 75 pontos.

Apesar da colocação parecer confortável, a EMA se encontra empatada com escuderia irmã, Manthey PureRxcing e seu Porsche 911 R #92, o GT3 vencedor dos 1812 km do Catar, guiado pelo bielorusso Aliaksandr Malykhin, pelo alemão Joel Sturm e pelo australiano Klaus Bachler. Assim, a classificação geral de equipes da LMGT3 por alternar, mais uma vez, a liderança entre si.

Apesar de dois Porsche 911 na frente, a WRT com a BMW M4 #31 do representante do Brasil Augusto Farfus e seus companheiros (o britânico Darren Leung e o indonésio Sean Gelael), se encontra em terceiro lugar, com 73 pontos. Diante de uma diferença de apenas dois pontos em relação as líderes, a WRT e o carro #31 tem grandes chances de alcançar o topo no Campeonato de Equipes.

Como o segundo competidor brasileiro na divisão de turismo, Nicolas Costa, que liderou algumas voltas na etapa passada em Le Mans no carro #59 da United Autosports, tem uma oportunidade de ouro de subir na tabela da LMGT3, por sua experiência recente em corridas no Autódromo de Interlagos, através da Porsche Carreira Cup Brasil, categoria em que não só competiu, mas foi campeão no ano passado.

Top 3 do Campeonato de Pilotos da Hypercar:

1 – André Lotterer, Kevin Estre e Laurens Vanthoor (Porsche Penske Motorsport 6#) – 99 pts

2 – Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen (Ferrari AF Corse #50) – 90 pts

3 – Kamui Kobayashi e Nyck De Vries (Toyota Gazoo Racing #7) – 82 pts

Top 3 do Campeonato de Fabricantes da Hypercar:

1 – Porsche – 108 pts

2 – Ferrari – 99 pts

3 – Toyota – 96 pts

Campeonato de Equipes Privadas da Hypercar:

1 – Hertz Team JOTA #12 – 128 pts

2 – Proton Competition #99 – 71 pts

3 – AF Corse #83 – 67 pts

4 – Hertz Team JOTA #38 – 54 pts

Top 3 do Campeonato de Pilotos da LMGT3:

1 – Morris Schuring, Richard Lietz e Yasser Shajin (Mathey EMA #91) – 75 pts

2 – Aliaksandr Malykhin, Joel Sturm e Klaus Bachler (Manthey PureRxcing #92) – 75 pts

3 – Augusto Farfus, Darren Leung e Sean Gelael (WRT #31) – 73 pts

Top 3 do Campeonato de Equipes da LMGT3:

1 – Manthey EMA #91 – 75 pts

2 – Manthey PureRxcing #92 – 75 pts

3 – WRT #31 – 73 pts

Transmissão

As 6 Horas de São Paulo contará com transmissões no BandSports, Youtube Esporte na Band e Youtube Portal Grande Prêmio, com a largada programada para 11h30 (horário de Brasília).