Foto de: Flávio das Chagas Prodossimo (frovas)
Foto de: Flávio das Chagas Prodossimo (frovas)

Aurélio Batista Félix nasceu em Santos, litoral paulista, no dia 24 de abril de 1958, e desde criança teve contato com caminhões. Era filho de caminhoneiro e ficava fascinado ao ouvir histórias das viagens do pai, Reinaldo Batista Félix.

Aos nove anos começou a receber as primeiras orientações sobre como manobrar caminhões e, aos 11, já era um expert mirim. Algum tempo depois, usava uma Kombi para realizar manobras que mais tarde fariam parte de seus shows nas provas da Fórmula Truck.

Foi na mesma época que ele começou a guiar caminhões nas estradas, inicialmente em pequenas viagens. Mas o trabalho como caminhoneiro começou mesmo aos 18 anos. Com o pai adoentado, ele assumiu a boleia e passou a fazer o transporte de motores Ford, do extinto modelo Maverick, para o porto de São Sebastião, no litoral Norte de São Paulo. Ele descia a rodovia dos Tamoyos e se divertia dirigindo carretas de 10 toneladas.

Em 1987, Aurélio participou da 1ª Copa Brasil de Caminhões, idealizada pelo jornalista português Francisco Santos, no autódromo de Cascavel, no Paraná. Entretanto, essa primeira prova no Brasil não foi uma boa semente para a competição de caminhões no país. A morte de Francisco Santos adiou a empreitada de Aurélio Batista Félix.

Daquela data em diante começou um trabalho mais direcionado à ideia da criação de uma categoria de caminhões mais sólida e segura. Foi criada a Racing Truck, em 1993, funcionando na mesma sede da Transportadora ABF, em Santos. Paralelamente à atividade de sua empresa de transporte, Aurélio investia no grande sonho.

Aos poucos, o filho de caminhoneiro, já vice-presidente do Sindicato dos Motoristas Autônomos da Baixada Santista, foi preparando alguns caminhões que tirava da sua própria frota preparando-os para correr nas pistas. Os trabalhos de transformação, preparação do motor, suspensão, criação de novas peças e, principalmente os equipamentos de segurança, exigiram incansáveis pesquisas e reuniões do pequeno grupo comandado por Aurélio.

Com a experiência adquirida no Sindicato dos Motoristas, onde chegou à presidência, ele criou a ANPPC (Associação Nacional de Proprietários e Pilotos de Caminhão) e passou a trabalhar detalhadamente em um regulamento técnico, com a preocupação de colocar modelos e marcas diferentes em nível de igualdade nas pistas.

Em 1994 Aurélio fez uma apresentação oficial em Interlagos e mostrou a Fórmula Truck para empresários, autoridades esportivas e imprensa especializada. No ano seguinte ele conseguiu, com uma liminar na Justiça, voltar às pistas para uma série de provas-exibição, uma forma de ficar fora da alçada da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), que havia proibido as corridas de caminhões depois do acidente de 1987. O público já passava de 15 mil pessoas nas exibições e a CBA passou a estudar a homologação do evento automobilístico, que já impressionava por levar muita gente aos autódromos.

O reconhecimento do trabalho de Aurélio Batista Félix veio em 1996, com a homologação da categoria e a criação do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck. Entre várias aprovações, os equipamentos de segurança, desenhados por Aurélio e produzidos na própria sede da Fórmula Truck, foram reconhecidos pela entidade máxima do automobilismo brasileiro como sendo superiores aos utilizados na Europa.

Em 2008, a Fórmula Truck completava sua 13ª temporada, ano em que seu criador Aurélio Batista Félix estaria realizando mais uma etapa de seu interminável sonho: a internacionalização da categoria com uma corrida na Argentina. O projeto ganhou força depois da visita de Aurélio a uma etapa da Truck europeia, em Nurburgring, Alemanha, no ano anterior.

“Nossa F-Truck é superior à deles em todos os aspectos. Nossa tecnologia de preparação dos caminhões e a estrutura de produção do evento são muito melhores do que a deles”, disse o animado Aurélio no início da temporada.

Na primeira prova do ano, no dia 2 de março em Guaporé, Rio Grande do Sul, Aurélio se sentiu mal logo depois do final da corrida. Já com um histórico de problemas cardíacos, foi socorrido no próprio autódromo e logo depois transferido para o Hospital São Vicente, em Passo Fundo. Após uma bem sucedida cirurgia, comemorada por um corpo médico de seis especialistas, Aurélio estava para ter alta quando, três dias depois, novamente se sentiu mal. Levado para a mesa de operação, foi constatada uma hemorragia estomacal de grandes proporções, o que ocasionou a morte no final da tarde do dia 5 de março de 2008.

Após a comoção de todo o meio automobilístico, a Fórmula Truck terminou o ano de 2008 com grandes índices de audiência e público. Nas mãos dos coordenadores, que aprenderam com Aurélio, e sob a direção da nova presidente da categoria, Neusa Navarro Félix, a temporada apresentou recorde de público em todas as corridas.

Aurélio faleceu e a semente plantada por ele germinou, cresceu mais ainda, deu mais flores e frutos. Reconhecida nacionalmente como a categoria mais popular do País, a Fórmula Truck continua a trilhar o caminho da projeção internacional. Aurélio tinha 49 anos quando faleceu. Era casado com Neusa e deixou três filhos: Danielle, Gabrielle e Aurélio Junior.

Veio 2009 e, sob o comando de Neusa Navarro Félix, a Fórmula Truck fez mais uma bela temporada. O sonho do idealizador continuava a ser realidade. A Fórmula Truck fez sua primeira prova fora das fronteiras do Brasil levando ao Autódromo Juan Y Oscar Galvez, em Buenos Aires, capital da Argentina, o recorde de público, com mais de 70 mil pessoas aplaudindo o show dos caminhões brasileiros.

A cada ano a Fórmula Truck, a categoria que tem a maior presença de público no automobilismo nacional, mantém sólido e seguro crescimento e ganha merecido reconhecimento no Brasil e em todo o mundo.

Fonte: http://www.formulatruck.com.br/institucional.asp

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